Poços de Caldas nasceu de dois poços e uma choupana de palha; veja a história das águas
Do banho em tinas cercadas por esteiras às Thermas Antonio Carlos, a trajetória das fontes termais explica o nome e a identidade de Poços de Caldas.
O nome Poços de Caldas vem de dois poços abertos para aproveitar melhor as águas termais, e a história das fontes que atraíam doentes de longe virou símbolo da cidade. O relato, baseado em estudos de Homero Ottoni e Nilza Megale, ganha força na semana em que Poços celebra seu aniversário.
Quem chegava às fontes das Caldas procurava cura para todo tipo de doença, mas não encontrava estrutura. A primeira casa de banhos, erguida pelo juiz de fora Agostinho de Souza Loureiro, tinha só dois banheiros separados, cobertos por uma choupana de palha. Ele também foi pioneiro no estudo da vazão das fontes e da força das águas sulfurosas.
Banho só na seca
Os banhos sulfurosos aconteciam nos meses secos, de agosto a novembro. Não havia abrigo, e no inverno e no período de chuvas os caminhos ficavam intransitáveis. Os ribeirões das Caldas ainda provocavam enchentes.
Em 1832, o médico da Imperial Câmara Manoel da Silveira Rodrigues veio tratar da saúde e fez os primeiros estudos sobre as águas de Poços de Caldas, Pocinhos do Rio Verde e Lambari. Ele registrou banhos em dois tanques abertos sobre as fontes Pedro Botelho e Mariquinhas, ou em tinas cercadas por esteiras.
Por décadas, a região ficou na promessa. Houve concorrência para construir um hospital sem nenhum interessado, e uma loteria concedida em 1847 que não saiu do papel. Em 1865, o engenheiro Martiniano da Fonseca Reis Brandão levantou a planta e o orçamento de obras, e a família Junqueira doou 26 alqueires e meio de terras perto das nascentes.
Dos barracões aos balneários
Em 1882, a Empresa Balneária dos Poços de Caldas venceu a concorrência e trocou os ranchos de sapé por barracões de pinho. Em 1886, inaugurou o Balneário Pedro Botelho, com banheiros de 1ª e 2ª classes e duchas de água sulfurosa. Naquele ano, D. Pedro II e a imperatriz Tereza Cristina tomaram banho termal ali, na chegada do ramal da Mogiana.
O balneário dos Macacos foi inaugurado em 27 de fevereiro de 1896. O prédio atual, o Balneário Dr. Mário Mourão, foi aberto em 1975 pela Hidrominas, com 20 banheiros, e segue em funcionamento.
Thermas Antonio Carlos
Com a falência da Companhia Melhoramentos, o governo de Minas arrematou os bens, e em 1927 foi criada a Superintendência dos Serviços Termais. A nova Thermas, com projeto sob supervisão do arquiteto Eduardo Pederneiras, recebeu o nome do presidente do estado, Antônio Carlos, e foi inaugurada em 1931 na rua Junqueiras.
O prédio neoclássico tem hall de entrada com mezanino e vitral feito em São Paulo, além de 60 banheiros de louça inglesa. Foi tombado pelo Patrimônio Histórico de Poços em 1998.
Com informações de Poços Já.


