Terras raras: BNDES visita planta da Viridis e Poços de Caldas sonha com polo industrial
Comitiva do banco conheceu a planta-piloto do Projeto Colossus em Poços de Caldas. A indústria completa deve começar a operar ao final de 2028.
Poços de Caldas está um passo mais perto de virar um polo industrial de terras raras. Uma comitiva do BNDES visitou o Projeto Colossus, da Viridis, e conheceu a planta demonstrativa da empresa. A estrutura reproduz em escala piloto o processo industrial de produção do carbonato misto de terras raras (MREC).
A visita mostrou ao banco o resultado de um investimento que ele mesmo financia. A Viridis conseguiu uma linha de crédito de R$ 77,5 milhões do BNDES, por meio de chamada pública da Finep voltada a minerais críticos. O dinheiro serve para montar o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras.
Quanto custa e quando fica pronto
A planta industrial deve entrar em operação ao final de 2028. O investimento estimado para o Colossus é de US$ 449 milhões. A empresa agora busca novos recursos para tirar a fábrica do papel.
A Viridis também fechou parceria com a Rhodia Operations SAS, do grupo Solvay. Ela vai fornecer MREC para a unidade de La Rochelle, na França, uma das maiores instalações de separação e purificação de terras raras fora da China. O acordo prevê ainda possível transferência de tecnologia e suporte técnico para produzir em Poços um MREC refinado, de maior valor comercial.
O que o BNDES viu
A planta demonstrativa é capaz de produzir até 5 quilos de MREC por dia. Flávio Mota, chefe do Departamento de Indústrias de Base do BNDES, disse: “Estamos saindo bastante otimistas, com uma impressão muito positiva do projeto.” Segundo ele, terras raras e minerais críticos estão entre as prioridades estratégicas do banco.
Pedro Dias, gerente de Mineração e Transformação Mineral do BNDES, afirmou que o país deixou para trás a fase em que produzir terras raras a partir de argilas iônicas parecia algo distante. Ele também disse que o empreendimento já tem estudo definitivo de viabilidade econômica.
Mais plantas a caminho
Klaus Petersen, diretor-executivo da Viridis no Brasil, contou que a empresa vai construir mais duas plantas demonstrativas. Uma será de reciclagem de ímãs, prevista para o próximo ano. A outra será de separação de óxidos, prevista para o ano seguinte. As duas devem ficar no Distrito Industrial de Poços de Caldas.
Petersen afirmou que o centro de pesquisa vai permanecer na cidade e servir para treinar equipes e desenvolver novos processos. Para ele, o projeto pode atrair outras indústrias da cadeia das terras raras. “É uma oportunidade única para Poços de Caldas, Minas Gerais e o Brasil”, destacou.
Com informações de Onda Poços.


