De presa a ‘tradutora’: brasileira de Pouso Alegre aprendeu 2 idiomas em prisão na Tailândia
Condenada por tráfico de cocaína, moradora de Pouso Alegre trabalhou em padaria, fez massagens e ajudou outros brasileiros durante quatro anos e meio presa.
Quatro anos e meio atrás da grade, em um dos países mais duros do mundo contra o tráfico de drogas. Uma brasileira criada em Pouso Alegre, no Sul de Minas, contou por meio da advogada como foi a rotina na prisão da Tailândia e como acabou virando uma espécie de tradutora entre as detentas.
Segundo a advogada Kaelly Cavoli Moreira, que acompanha o caso desde 2022, a jovem aprendeu inglês e tailandês por necessidade. Com isso, passou a ajudar outros brasileiros que chegavam à unidade sem entender o idioma local.
Ela também orientava os recém-chegados sobre a rotina e as possibilidades de trabalho. Chegou a dividir a cela com cerca de 150 mulheres, de várias nacionalidades.
Padaria, massagem e itens básicos
Para conseguir dinheiro, a brasileira trabalhou em uma padaria dentro do sistema prisional e fez massagens. Segundo a advogada, o valor servia para comprar o que a prisão não fornece, como pasta de dente, escova e chinelo.
Na Tailândia, esses itens ficam a cargo da família da presa. Como ela não tinha parentes no país, não havia como fazer nem um depósito simbólico, explicou a advogada. A comida, muitas vezes apimentada, também era bem diferente da que ela conhecia no Brasil.
Perdão real cortou a pena pela metade
Ela foi presa em fevereiro de 2022 no aeroporto de Bangkok, com cerca de 9 quilos de cocaína em malas, junto de outro brasileiro, segundo informações divulgadas na época. A condenação inicial foi de 9 anos e 6 meses.
De acordo com a defesa, a confissão em audiência ajudou na primeira redução. Depois vieram os perdões reais, benefício coletivo concedido pelas autoridades tailandesas. A advogada afirma que o comportamento da brasileira foi classificado como “excelente” em todos os anos, o que a colocou em todas as rodadas do benefício. A pena acabou reduzida pela metade.
O caso ganhou repercussão no Brasil porque, na Tailândia, o tráfico pode ser punido até com pena de morte, dependendo da quantidade de droga e das circunstâncias.
Ao deixar a prisão, ela passou por um centro de detenção de imigração antes de voltar ao Brasil. A família fez uma arrecadação para pagar a passagem, que custou cerca de R$ 6 mil, segundo a advogada. Hoje, ela trabalha no Brasil. Procurada pelo g1, a brasileira preferiu não dar entrevista por enquanto.
Com informações de g1 Sul de Minas.


