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Terras raras no Morro do Ferro: empresa fala em teor de 40,5%, mas ainda não há mina

Mineradora australiana divulga novos resultados de sondagem em Poços de Caldas, mas os números são preliminares e não comprovam viabilidade econômica.

Por alberto 19/10/2026 às 12h01 Facebook X
Terras raras no Morro do Ferro: empresa fala em teor de 40,5%, mas ainda não há mina

A mineradora australiana Power Minerals divulgou novos resultados de sondagem no Projeto Morro do Ferro, em Poços de Caldas, e os números chamam atenção. Em uma amostra, a empresa registrou 40,5% de óxidos totais de terras raras. O dado mexe com o futuro de uma área ligada ao abastecimento de água da cidade.

Há um aviso importante: os resultados são preliminares. Eles não são uma estimativa de recursos minerais e não provam que a exploração comercial seja viável do ponto de vista econômico.

O que a empresa anunciou

Segundo a nota da companhia, o furo MFSR-057 mostrou um trecho contínuo de 111 metros, a partir da superfície, com teor médio de 8,25%. Dentro dele, houve 51 metros com 15,42% e 15 metros com 20,42%.

O CEO, Alistair Stephens, classificou os resultados como “interseções de terras raras de classe mundial”. A empresa também destacou a presença de óxidos usados em ímãs permanentes de alto desempenho. Esses ímãs entram em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos industriais.

Território sensível

O Morro do Ferro fica no Complexo Alcalino de Poços de Caldas, estrutura geológica que abriga o Aquífero Alcalino. Ele abastece parte significativa da população local.

Os possíveis impactos sobre água, solo, vegetação e biodiversidade ainda precisam ser esclarecidos. O mesmo vale para a destinação de rejeitos e para os métodos de processamento. Não há estudo que comprove dano no caso específico do Morro do Ferro, mas são pontos que qualquer projeto de mineração precisa responder.

Prioridade no licenciamento

Em setembro, a Power Minerals fechou acordo com o Governo de Minas para que o projeto receba “tratamento prioritário” no licenciamento ambiental. A análise ficará com a Superintendência de Projetos Prioritários (SUPPRI).

O acordo não concede licença e não substitui os estudos de impacto. Ter resultado positivo de sondagem também não autoriza a empresa a começar a extrair minério.

Os próximos passos são mais sondagens, resultados de laboratório, estudos metalúrgicos e uma primeira estimativa de recursos. Só depois virão os estudos de viabilidade e o licenciamento. Por ora, o anúncio mostra o resultado de uma pesquisa mineral, e não uma mina comprovada.

Com informações de Poços Já.

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