Andradas proíbe mineradoras de usar estradas públicas em meio à corrida por terras raras
Lei sancionada pela prefeita Margot Pioli obriga empresas a transportar terra e minério por vias próprias. Em Caldas, projeto popular segue o mesmo caminho.
Andradas (MG) bateu o martelo: mineradora não vai usar estrada pública para tocar operação interna. A prefeita Margot Pioli (Cidadania) sancionou no dia 6 a Lei Ordinária 2.337, que veta esse tipo de uso das vias do município.
A regra vale para o transporte de terra, minério bruto, estéril e rejeitos. Tudo isso deverá circular por vias próprias dos empreendimentos, e não pelas estradas que moradores, produtores e serviços essenciais usam no dia a dia.
Por que a lei apareceu agora
A norma é uma reação ao avanço da exploração de terras raras na região. O estopim foi o anúncio, em agosto, de uma parceria entre o Governo de Minas Gerais e a empresa australiana Meteoric Resources. O plano é pavimentar 23 quilômetros entre Andradas e Pocinhos do Rio Verde.
O texto da proposta foi formalizado pela Associação Núcleo Caracol, organização da sociedade civil. O objetivo declarado é proteger moradores e produtores do trânsito de veículos de carga.
Caldas vai pelo mesmo caminho
Na Câmara Municipal de Caldas, uma iniciativa popular também mira as estradas. O projeto “Sem caminho, a roça não anda” foi protocolado com 601 assinaturas. A ideia é proteger as vias caldenses dos prejuízos da mineração.
Helena Sasseron, representante do Núcleo Caracol, defende que o município pode se proteger pela ação conjunta entre poder público, coletivos e população. “Se as empresas e órgãos reguladores não colocam limites onde a mineração pode acontecer, cabe à população falar: aqui eles não vão passar”, disse.
A discussão sobre terras raras segue quente na região, e a disputa pelas estradas promete ser um dos próximos capítulos.
Com informações de Poços Já.


