Cachaça mineira cresce lá fora, mas produtor de alambique ainda esbarra em barreiras
Exportações brasileiras subiram 19,4% em volume em 2025, mas falta escala, padronização e acesso a mercado para o produtor artesanal de Minas.
A cachaça brasileira está ganhando espaço no exterior, mas o produtor de alambique de Minas Gerais ainda precisa vencer muitos obstáculos para pegar carona nesse crescimento. O alerta aparece em levantamento divulgado nesta sexta-feira (30) sobre o setor.
Segundo o Anuário da Cachaça, as exportações do país cresceram 19,4% em volume e 17,4% em valor em 2025, na comparação com 2024. O número é bom, mas não resolve o problema de quem produz em pequena escala.
Qualidade não basta
A tradição e a identidade da cachaça de alambique podem ser um trunfo lá fora. Só que, para virar venda, o produtor precisa de estrutura para atender o comprador estrangeiro.
A analista de agronegócio Nathália Rabelo aponta que o desafio passa por organizar a produção. Entre os pontos citados estão a regularização, a padronização, o controle de qualidade, a escala e o acesso a canais de comercialização e promoção internacional.
Premiada, mas com dificuldade para exportar
O exemplo vem de Córrego Fundo, em Minas. A Cachaça Padre Doutor, produzida pela família de Mírian Carolina Silva, ficou entre as cinco melhores do Prêmio CNA Brasil Artesanal. Mesmo assim, chegar ao consumidor de fora é difícil.
Mírian resume o problema: “Romper várias barreiras de volume, custo e colocar o produto no mercado exterior. Precisamos de uma melhor estratégia comercial e de união setorial para viabilizar a exportação”.
Programas tentam abrir caminho
A cachaça é uma das cadeias prioritárias do agroBR, programa que prepara empreendimentos e os aproxima de oportunidades de negócio no exterior. Já a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) trabalha a organização e a gestão dos produtores.
Para a consultora Tatiana Barros, o grande desafio é encontrar o consumidor que reconheça o que torna a cachaça mineira diferente. O objetivo dos programas é que a qualidade já reconhecida venha acompanhada de condições comerciais para ampliar a fatia do produto no mercado internacional.
Com informações de Poços Já.


