Cavalos soltos nas ruas de Poços de Caldas: o perigo que o CCZ não consegue conter
Mesmo com reclamações e promessas de estruturar o CCZ, animais de grande porte seguem nas vias de Poços de Caldas e causam acidentes.
Quem circula por Poços de Caldas já sabe: cavalos soltos em ruas e rodovias viraram uma ameaça constante. O que parecia caso isolado se tornou problema crônico de segurança e de bem-estar animal, segundo levantamento do portal Poços Já publicado em 5 de novembro de 2026.
Os riscos são reais. Já houve acidente na avenida Alcoa, na zona sul, com um carro e cavalos soltos. Em rodovias, atropelamentos mataram animais e deixaram pessoas feridas.
Falta estrutura, sobra improviso
Cristiane Caputo Bachi, representante do Instituto Pégasus e de outras entidades de proteção, afirma que a raiz do problema é uma estrutura municipal deficitária. Em audiência pública na Câmara, a entidade cobrou o recolhimento dos animais e também condições dignas para os que são resgatados.
Em maio de 2026, o instituto resgatou um cavalo abandonado no bairro Morumbi. Como o caminhão da prefeitura estava parado, as protetoras pagaram um transporte particular. Na ocasião, elas relataram cansaço: “A gente não está conseguindo manter esse ritmo de resgate porque também não temos recursos suficientes para tirar tantos cavalos soltos pelas ruas”.
Até o CCZ é alvo de furto
Em novembro de 2025, um cavalo foi furtado do próprio Centro de Controle de Zoonoses, depois que a cerca foi cortada. Segundo o Instituto Pégasus, casos assim se repetem há anos. A entidade pede cerca elétrica, mais iluminação e câmeras de monitoramento.
A protetora Ariana Anjos, também do instituto, diz que o problema é grave e crescente. Para ela, recolher os animais não basta: é preciso acabar com práticas que levam à exploração e ao abandono, e fiscalizar com rigor.
O que diz a prefeitura e o que diz a lei
Em respostas a requerimentos da Câmara, a prefeitura sustenta que o recolhimento é função do CCZ. Após a denúncia, uma equipe vai ao local. Se o animal tem microchip, o dono tem até cinco dias para retirá-lo, com multa progressiva e taxa diária. Sem identificação, o animal fica disponível para adoção.
A Lei Complementar nº 58, de 2005, determina a apreensão de cães, gatos e equídeos soltos em vias públicas. Em 2024, a Lei Complementar nº 261 trouxe sanções específicas para a permanência de animais soltos. Mesmo assim, segundo a reportagem, a aplicação da lei esbarra na falta de estrutura e de uma multa específica para os donos.
O resultado, conforme a origem, é que a lei existe, mas os cavalos continuam nas ruas, e a proteção animal segue cobrindo as lacunas muitas vezes com dinheiro do próprio bolso.
Com informações de Poços Já.


