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Cuidado com o zap: quase 9 em cada 10 conteúdos virais sobre saúde são falsos

Levantamento da Agência Lupa mostra que 87,3% dos boatos de saúde que bombaram na internet eram mentira. O WhatsApp lidera as checagens.

Por alberto 21/10/2026 às 10h41 Facebook X
Cuidado com o zap: quase 9 em cada 10 conteúdos virais sobre saúde são falsos

Aquela mensagem de saúde que chega no grupo da família e promete cura rápida merece desconfiança. Um relatório da Agência Lupa, divulgado nesta semana, revela que 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde analisados eram falsos.

O estudo se chama Raio-X da Desinformação em Saúde e cobre o período de março de 2017 a junho de 2026. Foram 764 materiais checados, e 667 deles eram inverídicos. O trabalho teve o apoio da Afya, grupo de ensino médico.

Pandemia fez o problema explodir

Em média, a Lupa flagrou quase 72 falsidades virais de saúde por ano, cerca de seis por mês. Em 2020 e 2021, o volume disparou: foram 452 conteúdos virais checados, quase dez vezes mais que nos três anos anteriores.

Segundo a agência, o padrão já existia antes da covid-19, mas passou a aparecer em quantidade bem maior.

Os truques mais usados

A tática mais comum é a falsa autoridade médica ou científica, presente em 21,6% dos casos. Depois vêm o medo e a linguagem alarmista (17%), a distorção de estudos e dados (15,7%) e as soluções simples para problemas complexos (12,6%).

A fundadora da Lupa, Cristina Tardáguila, resume: “Um dos maiores desafios da desinformação em saúde é que ela se apropria da linguagem e da autoridade de médicos, pesquisadores e instituições para parecer legítima”.

Vacina segue na mira dos boatos

Os conteúdos sobre vacinas eram 9,1% das checagens de saúde antes da pandemia. A fatia chegou a 33,2% durante a emergência e a 38,9% entre 2022 e 2024. De 2025 a junho de 2026, caiu para 20%, mas continua mais que o dobro do patamar anterior. Das 244 alegações sobre vacinas analisadas, 212 (86,9%) eram falsas.

Ao menos 142 conteúdos citavam figuras públicas. A agência ressalta que isso não significa que elas tenham criado ou endossado a alegação. Muitas vezes, terceiros usam o nome de gente conhecida para dar crédito à mentira.

WhatsApp é o principal canal

Mais de 70% das 498 checagens analisadas partiram de conteúdos que circularam ou foram achados no WhatsApp. O Facebook aparece em segundo, com 126 registros (25,3%), e o Instagram em terceiro, com 35 (7%).

A própria pesquisa faz uma ressalva: os dados não provam que o aplicativo seja a origem dos boatos. A Lupa recebe pedidos de checagem por um canal no WhatsApp, o que pode favorecer a identificação do que circula por lá.

Com informações de Poços Já.

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