Dengue já domina metade do país e novas doenças avançam; veja os riscos
Estudo da Fiocruz mostra que as áreas com epidemia de dengue mais que dobraram em 18 anos. Especialistas também alertam para leptospirose, hantavírus e fungos.
A dengue deixou de ser problema só das regiões mais quentes do Brasil. Um estudo da Fiocruz aponta que o número de microrregiões com nível epidêmico da doença passou de 110 para 292 entre 2006 e 2024. Isso equivale a 54% do país, e o alerta vale para todo morador, inclusive do Sul de Minas.
O caso do Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul só teve um caso de dengue não importado em 2007. Em 2024, ano recorde de casos no Brasil, o estado teve quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes. A Bahia, mais quente e com 3 milhões de habitantes a mais, somou cerca de 163 mil casos e 188 óbitos.
Segundo a pesquisa, o indicador que melhor explica o avanço da dengue no longo prazo é a maior frequência de anomalias térmicas, ou seja, temperaturas muito fora do normal por determinado período. Os autores avaliam que a expansão da área de transmissão parece irreversível.
Oropouche, leptospirose e hantavírus
A febre do Oropouche, que até 2023 circulava quase só na Amazônia, causou mais de 12 mil infecções em 23 estados e no Distrito Federal no ano passado. A relação com o clima ainda é investigada.
O infectologista Celso Granato chama atenção para surtos depois de enchentes e secas. Ele lembra que a leptospirose aumentou muitas vezes no Rio Grande do Sul após as chuvas. A água da enxurrada também pode se misturar ao esgoto e contaminar o que as pessoas bebem ou usam para lavar alimentos. O alerta cresce com a previsão de El Niño no país.
Já as queimadas podem levar pequenos animais silvestres para perto das casas. É o caso do hantavírus: desde 2016, o Brasil confirmou 530 infecções e 212 mortes, letalidade de 40%.
A ameaça dos fungos
Os fungos também preocupam. Segundo a professora Sarah Gonçalves Tavares, da Ufes, o aumento da temperatura ambiente faz alguns deles se adaptarem e passarem a causar doenças em humanos.
O principal exemplo é o Candida auris, que provoca surtos em hospitais, sobretudo entre pacientes com imunidade baixa. Desde 2020, o Brasil teve 24 ocorrências em 15 estados, todas em unidades de saúde. Dos 146 pacientes colonizados, 56 morreram. Quando o fungo chega ao sangue, a letalidade chegou a 82%.
Com informações de Poços Já.


