Lar não é refúgio: 64% da violência contra mulheres em Poços acontece dentro de casa
Levantamento da SES-MG mostra que a residência é o principal local das agressões atendidas na rede pública de saúde de Poços de Caldas.
O lugar que deveria ser o mais seguro virou o mais perigoso. Em Poços de Caldas, 64,3% dos atendimentos por violência contra a mulher na rede pública de saúde dizem respeito a agressões ocorridas dentro de casa.
O número vem de um levantamento da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) referente a 2026. Ele aponta a residência como o endereço principal das agressões físicas e emocionais.
Poços é o segundo da lista
O padrão se repete nas maiores cidades do Sul de Minas analisadas. Em quatro das cinco, mais de 58% dos registros aconteceram no ambiente doméstico.
Alfenas lidera, com 67,9%. Poços de Caldas vem em seguida (64,3%), depois Itajubá (64,1%) e Varginha (58,6%). Lavras é a exceção, com 43,6% dos casos dentro do lar.
Agressão física e violência psicológica
A força física aparece na grande maioria dos atendimentos. Em todas as cidades do estudo, passa de 78% dos casos de violência de gênero, e chega a 89,4% em Itajubá. Os homens são os principais agressores em todas as localidades.
Poços chama atenção também pela violência psicológica, presente em 57,1% das notificações. Em Lavras, o índice é de apenas 5,1%. O levantamento relaciona a diferença à capacidade dos serviços de triagem de identificar e registrar abusos emocionais antes que virem lesões no corpo.
O estudo mostra ainda um dado preocupante sobre saúde mental. Em Alfenas e Lavras, quase metade das notificações é de lesões autoprovocadas (46,1% e 47,0%), acima da média de Minas, de 39,3%.
A análise foi feita por Adriano Henrique Mariano da Silva, graduando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG).
Com informações de Jornal da Cidade.


