Terras raras em Poços: “Se incomodar, a gente muda o plano”, diz diretor da Viridis
Fala do diretor da mineradora sobre o Projeto Colossus gera reação em Poços de Caldas, onde cavas estão previstas a menos de 300 metros de casas.
Uma frase dita pelo diretor da Viridis Mineração virou pivô de um debate pesado em Poços de Caldas. Ao falar do Projeto Colossus, de extração de terras raras, ele afirmou: “Se for comprovado que realmente incomoda, a gente muda o plano”. A declaração foi publicada pela Folha de S.Paulo em 15 de outubro de 2026 e agora é criticada em artigo de opinião.
O texto é de Danielle Vilas Boas, integrante do Movimento Rara é a Vida, e saiu no portal Poços Já. Ela questiona se esperar para ver se o projeto “incomoda” é um critério suficiente para uma atividade desse tamanho.
O que está em jogo para quem mora na cidade
Segundo o artigo, o Projeto Colossus é classificado no grau 6, o mais alto da escala de potencial poluidor da mineração. Há previsão de cavas a menos de 300 metros de residências. Também há previsão de cavas a menos de um quilômetro de escolas, creches e de um hospital na zona sul.
A autora lembra que a Viridis foi constituída no Brasil em 28 de setembro de 2023. É uma empresa australiana que, segundo ela, não tem histórico de mineração. Também afirma que o diretor já disse, em mais de uma ocasião, que o projeto avança em tempo recorde. Para ela, a pressa deveria gerar cautela, não orgulho.
Licenciamento e fiscalização
O artigo diz que o próprio município reconheceu não ter estrutura suficiente para fiscalizar o empreendimento. Também cita questionamentos sobre o licenciamento em Minas Gerais, como os mandatos vencidos de conselheiros que aprovaram a Licença Prévia. Na etapa municipal, aponta possíveis falhas na emissão da Certidão Municipal de Uso e Ocupação do Solo.
Na mesma linha, a autora afirma que o diretor da empresa disse ter havido um acordo com a prefeitura para adiar as escavações mais próximas das casas, até que os impactos sejam avaliados.
Água e novos projetos
Danielle alerta ainda para outros projetos de grande porte no horizonte. Segundo ela, foram identificadas ocorrências de terras raras de alto teor em maiores profundidades, e o Morro do Ferro volta a entrar no radar da exploração. Ela destaca que a região compartilha os mesmos recursos hídricos, que abastecem a população, as lavouras de café e os atrativos turísticos.
O artigo cita também a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, a Lei nº 15.506/2026, sancionada em 16 de setembro de 2026. Para a autora, a lei ainda deixa lacunas na proteção das comunidades afetadas.
O texto é de opinião e, conforme o Poços Já, não representa necessariamente a posição editorial daquele veículo. O Pensa Poços segue acompanhando o caso.
Com informações de Poços Já.


