Uvas que dispensam fungicida: pesquisa feita em Andradas pode mudar o vinho do Sul de Minas
Epamig testou oito variedades resistentes a doenças em vinhedo experimental na Stella Valentino e viu o uso de fungicidas cair de forma expressiva.
Uma pesquisa com vinhedo em Andradas mostrou que dá para produzir uva para vinho fino com bem menos veneno. A Epamig avaliou oito variedades resistentes a doenças no Sul de Minas, e os resultados animaram os pesquisadores.
O estudo rodou de 2021 a 2025, com financiamento da Fapemig. O vinhedo experimental foi instalado na vinícola Stella Valentino. As mudas foram doadas pelo viveiro italiano Vivai Cooperativi Rauscedo.
O que são as uvas PIWI
As variedades testadas fazem parte do grupo das PIWIs, nome de origem alemã para videiras resistentes a doenças causadas por fungos. Elas nascem do cruzamento da Vitis vinifera, a espécie clássica dos vinhos finos, com outras espécies que têm genes de resistência.
Foram quatro brancas (Sauvignon Kretos, Sauvignon Rytos, Fleurtai e Soreli) e quatro tintas (Merlot Kanthus, Merlot Khorus, Cabernet Eidos e Cabernet Volos).
Menos fungicida, menos custo
Foram duas colheitas de verão e uma de inverno. A produtividade ficou entre 1,5 e 3,5 quilos de uva por videira, dependendo da cultivar.
O destaque foi o corte nas pulverizações. No último ciclo de verão e no de inverno, não foi preciso aplicar fungicida contra o míldio, uma das principais doenças da videira. Contra o oídio, foram só três aplicações nos dois ciclos, segundo a coordenadora do projeto, Cláudia Souza.
Menos aplicação pode significar custo de produção menor e menos impacto ao meio ambiente.
E o vinho?
Os pesquisadores também fizeram microvinificações, que são pequenas produções de vinho para avaliar as uvas. O resultado: as oito cultivares têm potencial para render vinhos no Sul de Minas.
As PIWIs mantêm mais de 85% dos genes da Vitis vinifera. As variedades estudadas também constam como Vitis vinifera no catálogo europeu e no Ministério da Agricultura e Pecuária. Para a Epamig, elas ampliam as opções de quem busca uma vitivinicultura mais sustentável.
Com informações de Poços Já.


