The Economist crava Poços de Caldas como retrato do cansaço do eleitor com o PT
Revista britânica usou Poços de Caldas para explicar por que Lula chega ao 2º turno em desvantagem em Minas Gerais. Os números da cidade ajudam a contar a história.
A cidade de Poços de Caldas virou cenário de uma análise internacional sobre o segundo turno da eleição presidencial, que acontece neste domingo (25). A revista britânica The Economist escolheu o município como uma das cenas para explicar por que Lula (PT) chega à reta final atrás na disputa em Minas Gerais.
O texto foi publicado no Brasil pelo Estadão em 22 de outubro. Segundo a reportagem, Minas é um “microcosmo do Brasil”: o norte é árido e encosta no Nordeste, enquanto o sul e o oeste são dominados pelo agronegócio e pela indústria, onde o eleitorado tende à direita.
Poços aparece na revista como a cidade dos banhos termais e dos abundantes depósitos de terras raras, um ativo estratégico com peso geopolítico. O clima que o repórter encontrou por aqui, de acordo com o texto, é de desânimo.
“Até os ovos custam caro”
Um pedreiro de 45 anos, que já votou em Lula, resumiu o sentimento: “Lula disse que daria picanha para todo mundo, mas hoje até os ovos custam caro”. Ele se refere à promessa de campanha de 2022. Agora, diz que vai votar em branco.
A outra fala vem de um barbeiro de 64 anos, num bairro pobre da cidade. Eleitor do PT “desde sempre”, ele afirma que votará em Flávio Bolsonaro (PL) porque está afogado em impostos. “Sei que a família Bolsonaro não é lá essas coisas. Mas ficamos cansados, entende?”, disse.
Os números confirmam
O desgaste não ficou só na conversa de rua. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 45.922 votos (53,56%) em Poços de Caldas, contra 31.033 (36,2%) de Lula, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.
A cidade tem 122.866 eleitores aptos. Deles, 32.602 não compareceram às urnas, uma abstenção de 26,53%. É um índice que conversa com o voto em branco citado pelo pedreiro na reportagem.
Com informações de Jornal Mantiqueira.


