Orçamento 2027 de Poços corta 50% do Meio Ambiente e dobra empréstimos, diz vereador
Análise do vereador Tiago Mafra aponta que a proposta da prefeitura de Poços de Caldas infla as contas com crédito e tira verba de nascentes, parque e turismo.
A proposta de orçamento de 2027 de Poços de Caldas está causando preocupação na Câmara Municipal. O vereador Tiago Mafra (PT) analisou o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) e diz que ele esconde a real situação das contas da cidade, o que afeta o bolso e os serviços de quem mora aqui.
Segundo o vereador, o Executivo lançou no orçamento o valor total dos contratos de empréstimo já firmados, e não só o dinheiro que realmente entra no caixa ao longo do ano. Para ele, isso infla o orçamento, cria uma receita que não se concretiza no exercício e fere a Lei 4.320/64 e a própria LDO.
Empréstimos quase dobram
Os números da análise chamam atenção. As receitas correntes (impostos, taxas e transferências) caem 2,15% em termos reais, já descontada a inflação. Já as operações de crédito saltam de R$ 91 milhões em 2026 para R$ 179 milhões em 2027, alta de 96,69%.
De acordo com o vereador, é esse endividamento que sustenta o crescimento do orçamento no papel, sem virar investimento real na mesma proporção.
Meio Ambiente é o mais atingido
O maior corte é no Meio Ambiente, que perde 50,6% da verba: cai de R$ 11,6 milhões para R$ 6,0 milhões. O Programa de Proteção às Nascentes despenca de R$ 165 mil para R$ 1,5 mil, queda de 99%. A manutenção do Parque Serra de São Domingos perde 78% dos recursos.
“Estamos trocando a preservação ambiental por endividamento. Isso é um risco para o abastecimento de água e para o turismo, que é a vocação da cidade”, destaca Mafra.
Outras áreas também encolhem: Turismo (-12,9%), Fundo Municipal de Assistência Social (-10,0%), Cultura (-7,8%) e Serviços Públicos (-5,7%). Em contrapartida, a Controladoria Geral cresce 76,6%, Infraestrutura e Obras sobem 29,0% e a Educação avança 25,5%.
Falta de transparência
A análise também aponta descumprimento da Lei Municipal 10.120/2026. A norma exige a média de arrecadação dos últimos cinco anos, ajustada pelo IPCA, e justificativa específica para receitas extraordinárias, como o aumento do crédito e dos precatórios, que chegam a R$ 45,8 milhões. Segundo o vereador, nenhum desses documentos acompanhou a proposta.
“O alerta está feito: precisamos de um debate honesto sobre para onde estamos caminhando”, finaliza Mafra.
Com informações de Poços Já.


