Poços de Caldas na lama, o que a incompetência é capaz de fazer
Obra de acesso em frente à Prefeitura, o "Taj Mahal", está parada há mais de seis meses e virou lamaçal. Retrato de uma gestão que começa e não termina.
Opinião · Editorial do Pensa Poços
Bem em frente à sede da Prefeitura de Poços de Caldas, o prédio que a população apelidou de “Taj Mahal”, existe um retrato perfeito da atual administração: um buraco de terra vermelha, cercado por tela laranja, transformado em lamaçal a cada chuva.
Ali, a gestão do prefeito Paulo Ney começou uma obra para criar um novo acesso de entrada e saída do prédio da administração. Começou. E parou. Já se vão mais de seis meses com o terreno revirado, pedras amontoadas e água barrenta empoçada, exatamente como mostra a foto enviada ao Pensa Poços, depois da maior chuva do ano.

Se não consegue terminar a obra na própria porta, o que dizer do resto da cidade?
Não se trata de uma obra no fim do mapa. É a entrada da casa do prefeito, o lugar por onde passam secretários, vereadores, servidores e cidadãos todos os dias. Se a administração não consegue concluir um acesso de poucos metros na frente do próprio gabinete, que confiança o morador pode ter nas obras espalhadas pelos bairros?
A resposta está na rua. A Avenida João Pinheiro, em reforma, virou rio na primeira chuva forte da temporada. A demolição do Monotrilho segue sem data. Os repasses às instituições assistenciais chegaram a ficar três meses atrasados, a ponto de a Câmara aprovar uma moção cobrando o prefeito.
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“Pegou uma prefeitura quebrada.” E daí?
É verdade que a atual gestão recebeu uma Prefeitura com as contas em dificuldade. Ninguém nega. Mas é justamente por isso que a pergunta fica ainda mais grave: por que começar obras que a administração sabe que não vai conseguir terminar?
Quem sabe que o caixa está apertado planeja, define prioridades e só abre uma frente de obra quando tem dinheiro, projeto e equipe para ir até o fim. Abrir buraco sem garantia de conclusão não é coragem. É improviso. E improviso com dinheiro público tem nome: incompetência.
Coisa pública é coisa séria
Obra parada não é só feia. Ela custa caro. O material se perde com a chuva, o serviço precisa ser refeito, o contrato precisa ser revisto e, no fim, quem paga a conta é o contribuinte. Enquanto isso, a lama fica ali, como um aviso para quem chega à Prefeitura: aqui as coisas começam, mas não terminam.
Administrar uma cidade de mais de 160 mil habitantes não é tarefa para quem trata a coisa pública como experiência. Exige planejamento, equipe técnica, prioridade e, acima de tudo, responsabilidade com o dinheiro de quem paga impostos.
Poços de Caldas não merece viver na lama. Merece uma gestão à altura da cidade.
O espaço do Pensa Poços está aberto para a Prefeitura de Poços de Caldas informar por que a obra de acesso ao prédio da administração está parada, quanto já foi gasto e qual é o prazo para a conclusão.
Leia também: “Não foi a chuva, foi a gestão”: Prefeitura culpa a natureza, mas o caos em Poços tem responsável.
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