Barbeiro com parasita da Chagas: 36% dos insetos analisados no Sul de Minas deram positivo
Laboratório da Unifal, em Alfenas, já examinou 490 barbeiros enviados por prefeituras e libera o resultado em até dois dias.
Um em cada três barbeiros analisados no Sul de Minas carregava o protozoário causador da doença de Chagas. O dado vem do laboratório da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), que examina os insetos enviados por prefeituras da região e libera o resultado em até dois dias.
Até agora, foram 490 barbeiros analisados. Desse total, 180 testaram positivo para o Trypanosoma cruzi, o que representa 36% das amostras.
Como a análise é feita
Primeiro, os pesquisadores confirmam se o inseto é mesmo um barbeiro. Depois, examinam ao microscópio o conteúdo intestinal do animal, em busca do parasita.
O serviço funciona na Unifal desde 2023 e atende municípios das regionais de saúde de Varginha, Alfenas e Passos. Antes disso, as análises ficavam na Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte, e o resultado levava em média uma semana.
O que as cidades fazem com o resultado
Com a resposta mais rápida, as prefeituras agem antes. Em Varginha, a Vigilância Ambiental inspeciona a casa onde o barbeiro foi achado e os imóveis num raio de 100 metros. Se houver vestígios do inseto, é feita a borrifação de inseticida. Se o exame der positivo, a Secretaria de Saúde passa a monitorar o paciente.
A professora Angélica Rosa Faria explicou que o laboratório não recebe amostras de qualquer pessoa. Os municípios interessados devem procurar a Superintendência Regional de Saúde.
Sintomas e tratamento
A doença é transmitida principalmente pelas fezes do barbeiro, que podem entrar no organismo quando a pessoa coça o local da picada. Também há contágio por alimentos contaminados, de mãe para filho na gestação, e por transfusão de sangue ou transplante de órgãos.
Na fase inicial, os sinais incluem febre intensa, inchaço no rosto e nas pernas, vermelhidão na pele e dores pelo corpo. Na fase crônica, podem surgir problemas no coração, no esôfago e no estômago.
Segundo a cardiologista Juliana Marilia Pereira de Oliveira, o remédio benzonidazol pode curar até 100% dos pacientes diagnosticados na fase aguda. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, só um caso da doença foi notificado neste ano no Sul de Minas, em Pouso Alegre.
Com informações de g1 Sul de Minas.


